Hoje eu piquei o coentro como quem marca o tempo da festa: pensando em você, meu bem. Se eu pudesse, levava um tabuleiro de acarajé até sua porta, dendê brilhando, e já chegava chamando a vizinhança. Você tem esse dom de acender a rua com uma gargalhada só. É dia do seu calendário e do nosso encontro, porque amigo assim vira família. Que axé bonito você espalha, desse que entra na casa e arruma os móveis da alegria.
Quero te celebrar do jeitinho baiano: mesa farta, música boa, pé batendo no chão e memória dançando no meio. Lembro da noite na Barra, vento salgado no rosto, a gente rindo das bobeiras e prometendo cuidar um do outro sem contrato. Você segura as pontas, puxa conversa, corta o silêncio com jeito. Quando eu enrosco, você aparece com café forte e uma piada afiada. É por isso que hoje meu abraço chega comprido, fechando as brechas do cansaço.
Que seu novo ciclo venha temperado com coragem, saúde e planos que caibam no bolso e no coração. Se errar o passo, eu marco o ritmo. Se acertar em cheio, eu abro o espumante e corto o bolo de tapioca. Vida que segue cheia de luz, meu amigo, e que a tua alegria encontre sempre espaço para se espalhar. Me chama que eu vou, pra celebrar, ouvir, dançar e lembrar que amizade boa não faz barulho, mas sustenta o dia inteiro.