Nomes gravados no caderno: mais um ano se destaca
Houve um tempo em que escrevíamos nossos nomes umas linhas tortas, caderno aberto, promessas leves - como se a vida viesse sempre na cor do recreio. Hoje, seu aniversário chega com tom de outono: folhas e memórias caem, mas a amizade insiste, raiz fincada em terra firme. Teu riso não envelhece: escuto de longe, é eco que atravessa corredores, gira a maçaneta das lembranças e abre para mim tardes incuráveis, cheias de conversa boa. Drummond escreveu: 'Tenho apenas duas mãos, e o sentimento do mundo.' Te ofereço as duas - mãos e mundo: um gesto sem medida, o tempo inteiro renovado. Que cada ano teu se some como versos guardados onde a rotina se esquece e só a presença conta: amigo é linha que costura o tempo, não se desfaz.
· Profa. Beatriz Coelho
Entre folhas de outrora e marcas suaves de hoje, este poema é um aniversário vivo: convite para celebrar não só a data, mas a rara permanência do afeto.

