Quatro anos de amizade, e eu ainda descubro você

Tem amizades que chegam com barulho e somem no primeiro inverno. A sua não. A sua chegou quieta, num daqueles dias que a gente não marca no calendário, e foi ficando - como jardim que ninguém planta de propósito, mas que insiste em florescer. Quatro anos. Eu fico contando e não consigo transformar em número o que eles significam. São conversas que começaram no meio e nunca terminaram. São silêncios que não pesaram. São as vezes que você soube antes de eu falar, e ficou do meu lado mesmo assim. Nesses quatro anos, a vida mudou de forma mais de uma vez. Coisas caíram, outras cresceram, e no meio de tudo isso você estava lá - não como âncora, que prende, mas como maré: que move, que acompanha, que não deixa o chão virar areia demais. Eu aprendi com você que amizade de verdade não é aquela que a gente festeja toda semana. É a que sobrevive à distância, ao silêncio, ao tempo que passa sem avisar. É a que, quando a gente se encontra de novo, parece que o relógio nunca chegou a correr. Hoje você completa mais um ano, e eu completo mais um de ter você. Que esse ciclo abra com tudo que você merece - e que a gente ainda acumule muitos outros anos pra contar.
· Júlia Marques



