Rastro de esperança no carpete da velha capela
Ela passa, de manhã tão cedo, pela nave imóvel, e o chão conhece os nomes que seus pés ecoam. No vestígio dos saltos, migalhas de esperança - o tapete, um rastro de fios onde a fé se deita. Entre bancos vazios, sua presença firma o espaço, eu a vejo recolhendo fragmentos de orações como quem junta retalhos de infância para emendar no hoje: ela sabe costurar consolo com linha de afetos intactos. Há um ofício silencioso naquilo que só o tempo revela: oferecer ombros, vigiar velas, repartir silêncios. Drummond falava do difícil ofício de existir - há grau maior no labor de quem persiste pelo outro. Neste aniversário, não há glória em púlpitos ou discurso, mas paz no intervalo da palavra dita e do pão partido. Celebrar seu dia é reconhecer: existe grandeza distinta em mãos que abençoam sem alarde e sustentam todos os dias.
· Profa. Beatriz Coelho



