Padrinho: você foi a mão que me ensinou a andar sem ter pressa

Existe uma certa injustiça no tempo - ele passa depressa demais perto das pessoas que a gente mais queria ter por perto. Com você, padrinho, aprendi isso cedo. Aprendi que presença não se mede em visitas marcadas no calendário, mas naquele jeito de estar que alguns carregam e outros nunca aprendem. Lembro das suas mãos grandes segurando as minhas quando eu ainda não sabia bem o que era o mundo. Você nunca prometeu que seria fácil - prometeu que eu não estaria só. E foi exatamente isso que você cumpriu, sem alardes, sem cobranças, com aquela generosidade silenciosa que só os grandes têm. Clarice uma vez escreveu que 'a coragem é uma decisão que se toma minuto a minuto'. Penso nisso quando penso em você - na coragem de ser presença constante, de amar sem exigir reciprocidade, de ser o porto antes mesmo que eu soubesse que precisava ancorar em algum lugar. Hoje você completa mais um ano, e eu não tenho flor nem discurso à altura. Tenho só isso: a certeza de que a vida me deu um dos melhores acertos quando colocou você no meu caminho como padrinho. Que este ano te traga a mesma leveza que você sempre trouxe pra mim - e que você saiba, finalmente, o quanto o seu nome carrega peso bonito dentro de mim.
· Profa. Beatriz Coelho


