O som das chaves e a casa possível
Guardo o som das chaves no seu bolso, anúncio de visita e de cuidado. Você chegava, ajeitava a gola, perguntava pelos estudos e, sem alarde, me ensinava a medir as palavras. Quando me faltou coragem, foi sua mão que soltou a bicicleta e me deixou descobrir o equilíbrio, não a ausência do medo. Hoje celebro seu dia reconhecendo esse tipo raro de presença: firme, discreta, que ilumina sem ocupar todo o espaço. Com você aprendi que afeto também é método, constância e humor no tempo certo. Lembro Drummond quando fala das pedras: você não prometia retirá-las, mas me mostrava como contorná-las com dignidade. Que a vida lhe devolva em saúde, alegria mansa e tempo para os seus. Obrigada por escolher ficar, por escutar com atenção e por me ensinar a ser inteira. Receba meu abraço longo e o respeito que cresce a cada ano.
· Profa. Beatriz Coelho


