Mar aberto e tua calma no dia que é teu
A espuma salpicando o cais e o som dos barcos que dormem: foi assim que aprendi com você a esperar o vento certo. Padrinho, teu jeito de contar histórias na beira da praia me ensinou que crescer não é correr, é respirar fundo e ouvir o mar responder. Hoje, teu dia, lembro das caminhadas no calçadão, do riso fácil, da mão firme que não apressa e, mesmo assim, impulsiona. Você me mostrou que virar a página tem cheiro de sal e coragem. Que consertar uma coisa em casa é também arrumar um canto por dentro. Que silêncio é ferramenta. Que afeto pode ser um copo d’água bem gelado no fim da tarde. Carrego no bolso tuas mínimas instruções: olhar o horizonte, escolher o ângulo do vento, rir quando a maré teima, insistir quando o sol abre. Que este novo ano chegue como brisa boa na vela: empurra sem sacudir. Que teus dias floresçam como jardim na beira da janela, um botão por vez. Que haja saúde que acompanhe o passo, trabalho que não engula tua alegria e descanso que te devolva o corpo inteiro. Que o tempo te trate com gentileza e te lembre, sempre, do tanto que faz diferença. Brindo ao teu jeito de estar, firme e leve como quem conhece o mar. Obrigada por me ensinar coragem sem grito e carinho sem excesso. Sigo aprendendo com você, padrinho querido, e te abraço daqui, com o barulho das ondas dizendo: hoje é teu, aproveita bem.
· Júlia Marques


