No quintal, seus passos renovam meus silêncios antigos
No quintal, escuto seus passos - pequenos, mas tão decididos, como se buscassem segredos nas linhas do chão. Ali, onde a erva esconde raízes antigas, vejo sua infância se ensaiando entre formigas, entendo, sem pressa, que o tempo se dobra nos joelhos de quem aprende. Minhas mãos já guardaram verões demais, neto, e neles, cada riso seu cabe inteiro, uma espécie de esperança de Drummond, tecida nas dobras do cotidiano. Você pauta o silêncio da casa, o transforma em conversa, em clarão, tempestade leve e lembrança que não pede licença para ficar. Celebrar seu aniversário é quase um ritual: reorganizo as pequenas alegrias, as ausências breves, ocupando a sala e o peito com a alegria sutil que só quem ensina sabe colher.
· Profa. Beatriz Coelho
Um poema que transforma memórias e cotidiano em afeto renovado, celebrando o aniversário do neto sob a luz de laços e silêncio compartilhados.



