Vozes baixas à noite e confidências de travesseiro
Algumas das minhas lembranças mais vívidas giram em torno das vozes quase sussurradas entre uma história inventada e um medo confessado ao pé do ouvido, quando só as estrelas podiam testemunhar. No escurinho do quarto, cultivamos um pacto que o tempo não levou. Hoje te olho e percebo: há tanta coragem naquele olhar calmo, tanta poesia no modo como caminha pelo cotidiano. Cecília uma vez escreveu que "o tempo é um tecido invisível em que se pode bordar tudo" - e o seu tempo, irmã, é bordado de gestos delicados e força silenciosa. Neste dia, só desejo que você siga com a tua forma firme e doce de cuidar do mundo, sem nunca esquecer que meus braços seguem abertos para todas as suas confidências, como naquela infância que nos faz falta justamente por nunca nos abandonar de verdade.
· Profa. Beatriz Coelho



