A xícara lascada e a ternura que não se quebra
Penso em nós duas diante da velha cristaleira, escolhendo a xícara preferida: aquela, com a borda lascada, que nenhuma de nós trocava. Crescemos sem perceber que os afetos mais sólidos também carregam pequenas imperfeições, e que, tal como essa porcelana, resistem ao tempo, ganhando história em cada marca. Hoje, ao ver seu aniversário chegar, percebo que a ternura sobrevive a qualquer fissura; sua presença é abrigo sereno onde posso repousar e relembrar que o essencial das relações mora nos detalhes silenciosos. Clarice Lispector diria que certas presenças aquietam - a sua é assim, urgente e tranquila, forte sem precisar de ruído. Neste dia, desejo que você siga sendo esse universo inteiro: capaz de sustentar, acolher e, sobretudo, permanecer. Minha gratidão é do tamanho da delicadeza com que partilhamos até o que parece descontínuo.
· Profa. Beatriz Coelho



