Teu dia chega como maré mansa, filho
O vento na janela enrola a cortina e me devolve teu riso antigo, sal de praia nos cabelos, pés apressados pela sala. É teu dia - e o calendário dobra, mais uma página virada como vela de barco que encontra maré boa. Filho, crescer é aprender o desenho do próprio vento. Eu sigo ao teu lado, ajeitando os remos quando o mar inventa ondas, regando teu jardim de perguntas, celebrando cada botão que se abre no susto bonito do tempo. Que este novo ciclo te encontre inteiro, curioso, com o peito aberto para a brisa e para o sol. Se tropeçar, me chama; se voar, eu aplaudo. Te amo no silêncio e no barulho - do primeiro choro ao horizonte que ainda te espera.
· Júlia Marques
Um sopro de mar e varanda abre a página nova do teu dia: falo de crescer, de vento que guia e de um jardim que se acende no tempo.

