Varanda aberta, mar ao longe: teu dia acende
Começa no cheiro de sal que o vento traz pela janela, como se o mar soprasse velas mesmo de longe. Tua manhã parece um barco recém-pintado: nítido, pronto, brilhando sem pedir licença. Hoje teu aniversário me recorda que o tempo, quando passa por nós, não leva; lapida. No calendário, o ano vira página; na pele do nosso afeto, a maré aprofunda. Teu riso organiza a casa, tua calma devolve lugar às coisas, e teu caos bom me lembra que viver também é desarrumar a mesa para caber mais festa. Nós dois somos essa varanda que pega sol e vento. O café coado, a toalha esquecida na cadeira, a planta que insiste em flor - tudo em ti me chama para cuidar. Você me ensina a regar antes de pedir flor, a varrer os cacos sem dramatizar, a fazer abrigo com o que temos. Quando o dia vira correnteza, teu jeito é âncora e vela: firma e leva. Que este novo ciclo traga brisas francas, mergulhos corajosos e uma calmaria boa para os domingos sem pressa. Eu sigo escolhendo teu lado, tua risada torta, teu mundo organizado ao avesso. Se faltar luz, a gente acende fósforo; se sobrar, a gente dança. Hoje teu nome é festa que ecoa pela casa. Obrigada por ser mar aberto e beira segura. Que lindo crescer contigo - e te chamar de casa.
· Júlia Marques



