Pão da tarde, mãos juntas, bênção repartida e calma
As tardes descem devagar em tua mesa posta cheiro de pão e água fresca - o tempo silencia entre tuas mãos. Há um modo de rezar sem palavras, quando ajeitas a toalha, acende a luz, cobre a panela. No brilho dos teus olhos há saudade e promessa, vestígios da ternura com que Nossa Senhora te embala. Os fios do teu cabelo lembram véu antigo, ofertório onde cabe o mundo inteiro. Tua presença é morada calma, rosário vivido dechado em cada canto da casa, perfume simples de fé. Hoje, desejo que Mãe Aparecida se assente à tua janela, fazendo da tua vida um quintal onde floresce sempre a paz.
· Padre Henrique
As mãos calejadas repartem pão e silêncio como quem reparte o próprio coração, e cada gesto é prece na existência da avó.
