Entre a luz da manhã e teu colar de histórias
Na prateleira mais alta, guardaste a lata de biscoitos e, sem dizer muito, me ensinaste que cuidado é coisa que se faz com as mãos. Tua casa exala casca de laranja no sol, caderno com receitas anotadas a lápis, relógio que não apressa ninguém. Cresci ouvindo teus passos mansos e aquele riso que desalinha qualquer preocupação. Em ti, aprendi a diferença entre pressa e urgência, entre falar alto e dizer o necessário. Hoje, no teu aniversário, quero honrar a tua maneira firme e silenciosa de sustentar uma família. Tu me deste horizonte quando faltava coragem, e abrigo quando sobrava mundo. Drummond lembraria da pedra no caminho; contigo, aprendi a contornar, lapidar, até transformá-la em lembrança. Tens a sabedoria das águas que não disputam a curva, apenas seguem, claras. És a memória que afina o presente e nos devolve alguma delicadeza. Que este novo ciclo te traga tempo bom: conversas demoradas, risos na cozinha, tardes sem alarde. Quero seguir aprendendo ao teu lado, ouvindo histórias, repetindo receitas, herdando teus silêncios cheios de sentido. Recebe meu abraço inteiro e a gratidão que não cabe em prateleira. Vida longa, com saúde e leveza, e que cada manhã te encontre com aquela calma que sempre nos ensinou a respirar melhor.
· Profa. Beatriz Coelho
