À sombra da figueira, herança de delicadezas silenciosas
Recordo a mesa antiga em que, sob a luz trêmula da tarde, sua risada tornava menos árido o ofício de crescer. Avós sabem a tempo amainado, à maneira de quem compreende a paciência como arte que se aprende nas dobras do cotidiano. Hoje, no seu aniversário, penso no quanto seu gesto corriqueiro moldou horizontes: o modo exato de recostar no sofá, a delicadeza contida ao partir um pão, o respeito pelos silêncios. Há quem imagine a força como estrondo, mas você ensina que ela também pode ser mansidão, hábito persistente, olhar que guarda e acolhe. Cecília Meireles disse que "a vida só é possível reinventada", e a cada primavera sua, tudo renasce ao redor. Que sua existência seja sempre reconhecida pelo seu justo valor: uma dádiva para quem tem o privilégio de partilhar seus dias.
· Profa. Beatriz Coelho
