Oito anos: e eu ainda fico nervoso quando você entra na sala

Tem gente que acha que oito anos esfria. Que a rotina vai tomando o espaço que antes era só seu. E eu entendo de onde vem esse medo - porque a gente mesmo já passou por fases que pareciam que o fogo ia baixar de vez. Mas aí eu te vejo atravessando a cozinha descalça numa manhã de sábado, com o cabelo bagunçado e o café na mão, e juro: ainda trava. Ainda dá aquela coisa no peito que eu não sei nomear direito. Não é tesão, não é saudade - é algo mais quieto, mais firme. É o tipo de certeza que não grita, mas que tá lá o tempo todo. Oito anos significa que a gente construiu uma linguagem só nossa. Que eu já sei o que o seu silêncio quer dizer. Que você já entendeu que quando eu sumo por uns minutos não é distância - é jeito de processar. A gente aprendeu a se ler sem precisar de legenda, e isso vale mais do que qualquer romance bonito. Significa também que a gente sobreviveu a coisas que poderiam ter destruído tudo. E não destruiu. Porque a gente escolheu - não uma vez, mas várias vezes, em dias que não eram fáceis, em conversas que doíam, em momentos que exigiram mais do que a gente achava que tinha pra dar. Então hoje eu não tô aqui pra te desejar um monte de coisa bonita e abstrata. Tô aqui pra te dizer que quero mais oito, e mais oito, e mais oito - exatamente assim, do jeito imperfeito e real que a gente é junto. 🎉
· Marcos Almeida



