Oito anos: e eu ainda aprendo como te amar melhor

Oito anos não são poucos. São oito invernos em que eu escolhi me aproximar quando o mais fácil era recuar. São oito verões em que o seu riso ainda me pegou de surpresa, como se eu não te conhecesse desde antes. Não vim falar de perfeição - a gente sabe que não é isso. Vim falar de algo mais raro: a confiança que se constrói devagar, na consistência dos dias comuns. No café que você prepara sem eu pedir. Na conversa que a gente retoma no meio da noite, como se o sono fosse empecilho. Cecília Meireles escreveu que 'o amor é eterno enquanto dura'. Eu discordo, no nosso caso. O que a gente tem não é feito de duração - é feito de profundidade. De cada vez que a gente voltou, que escolheu de novo, que decidiu que o outro valia o esforço de ser honesto. Oito anos me ensinaram que amar alguém de verdade não é encontrar quem complete o que falta. É encontrar quem te faça querer ser mais inteiro por conta própria. Obrigada por ser essa presença que não precisa se anunciar. Que só está - e isso já muda o tamanho de tudo.
· Profa. Beatriz Coelho



