Três meses, e eu já não consigo imaginar o mundo sem você

Meu bem, olhei pra você hoje de manhã e fiquei parada um tempão assim, só te contemplando. Três meses. Noventa dias que a gente conta nos dedos mas que parecem uma vida inteira, de tão cheios que foram. Quando você chegou, pequenininha, eu pensei: 'Senhor, como uma criatura tão miúda pode ocupar um espaço tão grande dentro da gente?' E foi aí que eu entendi, minha querida, que o tamanho do amor não tem nada a ver com o tamanho do corpo. A Bíblia diz que toda boa dádiva vem do alto, e você, filhinha, é a prova mais viva disso que eu já vi nos meus anos de vida. Cada semana você foi mudando. O primeiro sorriso de canto de boca. As mãozinhas que começaram a segurar o dedo da vovó com uma firmeza que a gente não espera de coisa tão delicada. O olhinho que já procura a voz de quem ama. Eu fico pensando em tudo que ainda vai vir - os primeiros passos, a primeira palavra, a primeira travessura - e meu coração transborda de gratidão. Você veio pra lembrar todo mundo aqui de casa que a vida recomeça, que Deus ainda tem planos bonitos, que vale a pena acordar cedo e dar graças. Três meses é pouco tempo e é tudo ao mesmo tempo. A vovó Lurdes vai estar aqui em cada um dos que vierem ainda.
· Vó Lurdes



