Três meses de você: e o mundo já não cabe no mesmo tamanho

Três meses. Noventa dias que eu jurava que passariam devagar - e que voaram como folhas num outubro de vento. Antes de você, eu achava que sabia o que era espanto. Tinha lido Drummond, tinha ensinado sobre o instante que não volta. Mas nenhum verso me preparou para a primeira vez que você me olhou de verdade - não aquele olhar ainda fechado dos primeiros dias, mas aquele olhar que pergunta, que reconhece, que escolhe ficar. Você chegou pequenino e, de alguma forma que eu ainda não sei explicar em prosa, ocupou todos os espaços que eu nem sabia que estavam vazios. A casa ficou mais barulhenta e mais cheia de sentido ao mesmo tempo. O silêncio da madrugada, que antes era só cansaço, virou o momento mais honesto da minha vida - eu, você, e tudo que não precisa de palavras. Três meses de vida parecem pouco no calendário. Mas você já sabe sorrir com o corpo inteiro, já reconhece a voz de quem te ama, já tem opinião sobre o que quer e sobre o que não quer - e expressa com uma clareza que muitos adultos nunca vão ter. Que cada mês que vier seja tão cheio quanto esses três. Que você cresça sabendo que foi esperado, recebido e amado com uma intensidade que nenhum aniversário futuro vai conseguir diminuir.
· Profa. Beatriz Coelho



