Cem anos: o que o tempo guarda de mais bonito

Cem anos não cabem em nenhuma frase que eu consiga escrever de uma vez. Preciso parar, respirar, começar de novo. Você atravessou guerras que eu só conheço em livro, amou pessoas que o tempo foi levando, acordou em manhãs que não prometiam nada - e fez delas alguma coisa. Isso não é sorte. É uma forma de coragem que o meu vocabulário ainda está aprendendo a nomear. Eu olho pra você e vejo o que o tempo faz quando encontra alguém que não desiste. Não é só a idade gravada no rosto - é a prova de que dá pra durar sem endurecer, de que dá pra perder sem esvaziar, de que o coração humano aguenta muito mais do que a gente imagina quando ainda é jovem demais pra saber. Tem uma leveza em você que me confunde. Como alguém que carregou tanto ainda caminha assim, com essa calma? Eu gostaria de chegar perto dessa resposta um dia. Cem anos. Um século inteiro de presença no mundo. E eu aqui, com a sorte de poder dizer que você faz parte da minha história - que eu sou, em alguma medida, feito do que você plantou. Obrigada por ter ficado tanto tempo. Por cada ano que virou o seguinte. Por ter chegado até aqui.
· Júlia Marques

