Sinos às seis e a firmeza do nosso laço
Sino da basílica às seis, cheiro de pão na rua, e a cidade ainda em bruma: assim muitos dos nossos encontros começaram. Dez anos cabem nesse intervalo entre o toque e o primeiro sorriso, quando a pressa dá lugar à presença. Caminhamos lado a lado, sob o olhar da Mãe Aparecida. Entre promessas discretas e a intercessão que a gente sente sem ver, aprendi que amizade é devoção do cotidiano: saber escutar, guardar segredos, celebrar pequenas vitórias, oferecer paz quando o outro tropeça. Houve quedas, e houve graça. Você me viu cansado após a missa; eu te vi inquieto diante de escolhas. Fizemos silêncio quando as palavras não ajudavam. Como São José, preferimos o cuidado paciente ao barulho. E quando a sombra ameaçou, a fé abriu claridade nas coisas simples: um terço partilhado, um abraço na sacristia, o café que voltou a esquentar. Ao completar dez anos, não peço muito: que o tempo prossiga regado por confiança, que a esperança seja a nossa bússola, que a paz habite nossas casas. Sob o manto de Aparecida, sigamos firmes. Se eu me perder, me chama; se você se perder, eu te encontro. É assim que agradeço. É assim que seguimos.
· Padre Henrique



