Relógio de bolso e a amizade que persiste
Sobre a mesa da biblioteca, ficou o círculo marrom da nossa xícara compartilhada; ao lado, um riso contido que não atrapalhava ninguém. É desse tipo de marca que gosto: discreta e firme, lembrando que, entre aulas, mudanças e pequenas urgências, seguimos comparecendo um ao outro sem alarde. Dez anos são muitos cadernos. Reescrevemos trechos, riscando exageros, aparando silêncios que pesavam. Drummond talvez apontasse a pedra; nós a estudamos, conversamos com ela e seguimos. Há força na rotina, há lealdade que não pede aplauso. Reconheço em você a amiga que sabe chegar com clareza e sair com delicadeza, deixando o ambiente respirável. Se penso no que desejo adiante, é simples: mais honestidade, risos que acalmem, coragem para discordar sem ferir, e os passeios sem cronômetro que sempre prometemos. Que nossos próximos capítulos guardem essa medida boa de cuidado. Levo sua amizade como meu marcador de páginas: presença pequena, constante, que me ajuda a não perder o fio. Obrigada por permanecer nos dias sem brilho e festejar os luminosos. Dez anos depois, ainda reconheço em nós um começo atento.
· Profa. Beatriz Coelho



