Dois copos suando e a lealdade servida gelada
Dois copos americanos suando na mesa do bar da esquina. Foi ali que a gente começou a esboçar essa amizade: sem roteiro, sem filtro, só presença. Dez anos depois, olho pra trás e vejo a sequência de cenas: ônibus perdido, pitch furado, pizza fria, conversa que aquece. E o mais importante, mano: você apareceu quando eu precisei, e eu apareci quando o bicho pegou pra você. Você me viu virar pai, entender que madrugada também é trabalho, fralda é design de guerrilha e que amor cabe numa mãozinha fechada. Você montou berço comigo, riu do caos e segurou onda nas semanas em que eu sumia. Eu te vi quebrar a cara num trampo, duvidar do próprio talento, e tava lá pra lembrar que seu valor não depende do like de ninguém. A gente discorda de bobagem, atrasa, some, volta. E mesmo assim, a lealdade não caduca. É simples: confiança, resposta honesta, silêncio quando precisa e zoeira quando dá. Família escolhida é isso. Pra próxima década, quero mais rolê barato, corrida no parque, churrasco improvisado, viagem com as crianças correndo entre as cadeiras. Quero planos pequenos e consistentes: ligar sem motivo, perguntar de verdade como você tá, comemorar vitória miúda. Obrigado por segurar minha versão mais tensa e também a mais leve. Fechados. Que venham mais dez, com a mesma coragem de ficar.
· Marcos Almeida



