Dez invernos e verões guardados no coração
Café coado em garrafa térmica na sala de visitas; dez anos cabem no cheiro que sobe e lembra conversas longas. Irmão, teu passo ao lado afinou meu passo com Deus, nos vales, tua escuta; nos morros, teu riso que desarma. Aprendi a confessar fraquezas sem medo, e a dividir o pão e as orações como quem reparte luz. A Palavra nos ajuntou como corda de três dobras, e o tempo selou aquilo que a graça iniciou. O amigo ama em todo tempo (Pv 17:17), e hoje repito esse verso como quem acende um lampião, porque nossas noites tiveram vento, e ainda assim ficou a chama. Dez anos: não medalhas, mas cicatrizes curadas, cartas trocadas ao pé do altar e recomeços. Filho de Deus, tua amizade me lembra que o céu toca a terra nos gestos simples: carregar caixas, ouvir silencioso, orar sem holofotes. Que o Senhor te fortaleça no íntimo, renove teu fôlego e guarde tua casa; recebe meu abraço de pastor e amigo, em gratidão mansa.
· Pastor Antônio



