Dez anos - e eu ainda descubro você em cada conversa

Dez anos não é pouco. É tempo suficiente para que alguém veja o que a gente esconde, escolha ficar mesmo assim - e ainda faça isso parecer fácil. Não me lembro exatamente do dia em que a nossa amizade deixou de ser recente e virou estrutura. Essas transições não têm data marcada. De repente, você já estava no meio das histórias mais sérias, das dúvidas que eu não dizia em voz alta, das risadas que ninguém de fora entenderia sem contexto. Cecília Meireles escreveu que 'nada é permanente, nem a dor'. Mas há dez anos eu aprendo com você que certas presenças contrariam essa lógica - e que o afeto, quando é honesto, cria raízes fora do alcance do tempo. O que me toca não é a duração. É a qualidade do que foi construído: a escuta sem pressa, a franqueza que não machuca, a lealdade que apareceu quando eu menos esperava e mais precisava. Isso não se mede em anos. Se mede no quanto a gente se reconhece no outro. Então, no seu aniversário, o que eu quero dizer é simples: obrigada por ser o tipo de pessoa que faz dez anos parecer o começo.
· Profa. Beatriz Coelho



