Cuidado discreto, tempo repartido em confiança
Lembro do guarda-chuva dividido na saída da escola: dois passos apertados e a certeza de que o riso também aquece. Em dez anos, acumulamos pequenas cenas assim — café derramado, mensagem fora de hora, silêncio respeitado — e elas costuraram algo que não se mede em datas, mas em confiança. Gosto de pensar que nossa amizade aprendeu a respirar: não exige, não pesa, mas está inteira quando importa. Hoje, agradeço pelo que você sustenta sem alarde: a franqueza que me firma, a escuta que me devolve ao eixo, a lealdade que não precisa de plateia. Como lembraria Drummond, há pedras; ainda bem que as atravessamos lado a lado, com paciência e humor. Sigamos afinando o passo, cuidando do que já é raro. Se eu puder escolher, que os próximos dez anos mantenham esse mesmo timbre: presença, respeito e alegria que não faz barulho e, mesmo assim, ilumina.
· Profa. Beatriz Coelho



