Trinta e dois anos, e eu ainda aprendo contigo toda semana

Trinta e dois anos não são uma linha reta. São uma topografia inteira - morros que escalamos sem avisar um ao outro, vales onde ficamos mais quietos do que gostaríamos, e planícies longas onde aprendi a gostar do silêncio do seu lado. Bodas de pinho, dizem. Eu prefiro pensar numa madeira que quanto mais o tempo passa, mais revela o desenho da própria fibra. Há coisas que só o tempo longo ensina: a diferença entre o que você fala e o que você quer dizer, o jeito exato em que você ri quando está mesmo feliz, e não só educado, e quais batalhas valem o cansaço e quais eu posso poupar porque você já resolveu antes de eu perceber o problema. Esse é um conhecimento que não se compra e não se apressa. Cecília Meireles escreveu uma vez que 'o amor é o que a gente não vê, mas sente.' Eu acrescentaria: é também o que a gente constrói sem perceber, tijolo por tijolo, em cada manhã ordinária que não pareceu especial na hora, mas que hoje forma a arquitetura inteira de quem somos juntos. Neste aniversário de bodas de pinho, não quero te dar palavras bonitas apenas. Quero te dizer que escolheria esse mesmo caminho, com todos os seus desvios, em qualquer outra vida que me fosse oferecida. Obrigada por ser a companhia que torna a estrada o destino.
· Profa. Beatriz Coelho



