Quando o relógio marca, o tempo nos pergunta de volta
O calendário costuma anunciar o aniversário como um ponto fixo, mas toda vez que essa data retorna, ela redefine o espaço - não apenas no tempo, mas em quem você se tornou. O espelho, ao te encontrar nessa manhã, parece guardar perguntas antigas, como quando Clarice diz que o que se vê é sempre menos do que está. Há camadas que só o tempo pacientemente revela. Hoje, desejo que nenhuma conquista sua seja apagada pelo hábito ou pelo cansaço dos próprios dias. Que você saiba olhar para tudo o que viveu e perceber a textura dessas horas, a maneira como elas te educaram em silêncios ou entusiasmos. Não celebramos datas, celebramos rumos: as escolhas diante do que parece pequeno, os desvios que secretamente redefinem tudo por dentro. Talvez aniversário seja apenas a gentileza do tempo perguntando se, além do crescimento dos anos, você também expandiu a delicadeza de enxergar a si mesmo. Tomara que as respostas ainda estejam abertas, vivas, mudando com você.
· Profa. Beatriz Coelho



