Enquanto o café esfria, anoto o que permanece
Pensei no café que esfria sobre a mesa, enquanto a luz da manhã escorre pela borda do dia. Aniversário me parece isso: um intervalo que acalma o passo para que a gente enxergue melhor. Hoje, peço que você olhe para trás com ternura e para frente com critério, como quem revisa um caderno - rabiscos, correções, setas para o próximo capítulo. O tempo não uniformiza ninguém; ele acentua. Em você, acentuou coragem mansa, essa capacidade de sustentar escolhas e de dizer não. As marcas que ficaram não pedem disfarce: contam que você viveu. Lembro Drummond, discreto: havia pedras; hoje você as usa como degraus. Se a dúvida visitar, que seja só a sombra que prova a luz. Para o ano que se abre, desejo menos barulho e mais verdade. Que você se trate com gentileza, proteja seu ritmo, alimente suas perguntas boas. Que cada celebração seja simples e inteira: uma mesa, nomes queridos, um riso que não pede plateia. Se algum medo apertar, respire e escolha o lado que te amplia. Estou aqui, admirando a inteireza com que você segue.
· Profa. Beatriz Coelho



