Quando o vento traz histórias que não são minhas, mas me alcançam
Se o ano vira página, é você quem sublinha um traço calmo passando pelas manhãs da casa. Penso no mar - não na tumultuada quebra das ondas, mas no balanço fundo de quem já conhece a margem e o risco. É sua presença assim: vento que atravessa sala, atenta aos detalhes, recolhendo memórias sem fazer alarde, só ficando. Seu nome não é meu, mas toda vez que escrevo, o jardim que floresce é também herança gentil do seu olhar sobre as coisas pequenas. Hoje deixo minha gratidão solta- feito brisa em varanda azul- recebendo o que soubemos construir quando costuramos presença e apaziguamos demoras.
· Júlia Marques
Entre páginas viradas e ventos que anunciam um tempo novo, a sogra se faz porto, memória viva e abrigo para os dias de agora.



