Teu desenho na vidraça muda os contornos do meu mundo
Vidro embaçado na janela do inverno, tu dedo traçando mapas, labirintos desconhecidos - vejo ali, naquela exatidão distraída, a semente dos dias. Crescer, sobrinho, se faz de pequenos riscos: um papel esquecido, um gesto breve, uma alvorada em silêncio. A cada aniversário teu, revejo em mim o espanto de quem descobre cores novas no mesmo jardim. Drummond uma vez escreveu sobre as pedras, mas tu, com tua clareza, desenhas atalhos de erva tenra, abrindo passagem sem perder a doçura. Hoje, contemplo não só o menino, mas o homem em construção, caminhando com vagarosa coragem, abençoando o cotidiano com tua delicadeza firme. Neste dia, desejo que não te falte esse assombro: o poder de redesenhar o mundo, mesmo quando há gelo eu te peço - segue desenhando.
· Profa. Beatriz Coelho



