Árvore antiga abriga tuas primaveras e novembro
Alguém planta uma semente sem saber aonde vão os galhos, eu assisti, sobrinho, tua infância sombreando o quintal da memória: tua voz, alumbramento entre folhas e livros que te estendia com a ponta dos dedos, delicada espera. A cada primavera, vejo tuas perguntas aninhadas nos ramos mais altos, e a força miúda do teu desejo de alcançar respostas entre o vento e o susto. Hoje, és raiz e novidade; é tua idade que balança ao sabor do que ainda será. Drummond falou de pedras, tu soltas as tuas na margem do tempo- ou levas no bolso, ou jogas lago adentro para ver círculos se abrirem. Celebrar teu aniversário é colher frutos maduros e verdes, juntos: um pouco de ontem nas tuas mãos, outro tanto de futuro brilhando na tua sombra.
· Profa. Beatriz Coelho
O tempo gera raízes e folhagens, e cada aniversário do sobrinho espalha novas sombras frescas de convivência, admiração e esperança nestes galhos partilhados.



