Luz acesa na janela e tua risada costurando manhãs
Na casa onde sempre deixamos uma luz acesa, tu risada atravessa o tempo e costura manhãs. Há um cheiro de caderno novo sobre a mesa - tua infância respira entre as páginas das minhas memórias. Cecília diria: cada aniversário é uma invenção do tempo. E vejo em teus olhos perguntas antigas, quase sagradas, quando desmontávamos histórias na mesma varanda, o vento confundindo nossos cabelos e palavras. Hoje teu gesto inaugura o dia - um desenho em giz no chão e, sem que percebas, renovo meu desejo puro, de que te tornes sempre quem és, com o traço calmo de quem decifra o mundo pelo afeto, não pelo medo. Sigo te olhando crescer: raro cristal acuado entre instantes e me descubro outra vez aprendendo a beleza, observando-te tecendo alegria sobre a mesa posta. Te abraço em pensamento. Aqui, celebramos teu nome: pão nosso, afeto que pulsa.
· Profa. Beatriz Coelho



