Chave no portão, teu novo ano, pai
A chave girando no portão cedo, aquele som de casa. A mesa posta com o cuidado de quem entende o tempo. Suas mãos, cheias de marcas, sabem a medida das coisas, e me ensinaram que firmeza também pode ser macia. Hoje o calendário acende uma luz sobre o teu nome. Trago palavras como pão quente: partilho, para que te alimentem. Que a saúde te caiba nos bolsos e não pese, que o riso encontre varanda e permaneça. Aprendi contigo a olhar duas vezes e escolher a honestidade, a conter o impulso e devolver o mundo melhor do que o recebi. No meio do caminho, se houver pedra, faço dela banco, lembrando Drummond sem pedir licença. Se o tempo é rio, tu és quem aprende a ponte, carpinteiro do dia, cuidador das horas simples. Celebro-te assim, com respeito e alegria inteira: que teu novo ano tenha chão firme, sombra amiga e sol suficiente.
· Profa. Beatriz Coelho



