Velas ao vento, padre, e o mar abrindo clareiras
No cais da manhã, o vento folheia o calendário, e o ano vira página como quem abre janela. Padre, te desejo mar calmo e coragem de onda: ir e voltar, sem perder o sal da ternura. A cidade respira e tua escuta faz silêncio fértil, onde cabem dores miúdas e risos inteiros. Que o teu passo continue ponte sobre dias difíceis, e tua mesa, lugar de pão e conversa verdadeira. Hoje, acendo palavras como velas contra o frio, para aquecer tua caminhada sem exigir milagres. Que cada semente que lançaste encontre jardim, e floresça sem alarde, na medida da tua paz. Se eu pudesse, te daria tempo bem lavado, um abraço vasto feito horizonte após a chuva.
· Júlia Marques
Versos de quem vê o ano virar página no sopro do litoral: agradeço sua presença firme e humana, como jardim que floresce mesmo após a chuva.
