À neta que chegou para me ensinar o que eu achava que já sabia
Há certas pessoas que entram na vida da gente com a leveza de quem não sabe o peso que carrega. Você foi assim - chegou pequena, quase cabia nas minhas duas mãos, e eu pensei que ia te ensinar tudo. Não imaginei que seria o contrário. Você me ensinou a olhar de novo para coisas que eu tinha parado de ver: a seriedade de uma formiga carregando folha, o drama completo de uma casca de amendoim, o silêncio que existe dentro de uma concha. Há uma frase da Clarice que volta sempre que penso em você: 'Às vezes o mundo me dá uma coisa tão certa que fico sem saber o que fazer com ela.' É exatamente isso. Anos se passaram. Você cresceu em altura e em complexidade - do jeito mais bonito possível. E eu fui crescendo junto, porque quem tem o privilégio de acompanhar uma vida que desponta não sai igual de cada estação. O que te desejo neste aniversário não cabe numa lista. Desejo que você conserve essa coragem estranha de ser você mesma, que não deixe o mundo aparar as suas arestas mais interessantes, que encontre pessoas à altura da sua atenção. E que saiba - porque às vezes a gente precisa ouvir em palavras - que a sua vó te carrega no melhor lugar que tem.
· Profa. Beatriz Coelho

