As xícaras secam e teu riso acende a sala
O ruído tímido da chaleira antes do sol me lembra tua calma que acorda a casa. Anos se passaram como livros sublinhados, margens com risos, notas de quem aprende a dois. Hoje celebro teu corpo cansado e valente, as mãos que sabem fechar silêncio e abrir janelas. No meio do caminho, encontrei tua paciência, pedra que não machuca: assento, ponto de vista. Quando erro a medida do sal, tu acertas o tempo; quando a vida grita, tua voz pousa baixa. Há uma delicadeza que não se anuncia, como a luz entre cortinas à hora do café. Quisera dizer tudo, mas escolho isto e aquilo: agradeço teu gesto simples, tua coragem discreta, o futuro que moldamos com pão e perguntas. Teu aniversário me pede brevidade: que o dia te encontre do jeito que te reconheço - inteiro, claro, necessário.
· Profa. Beatriz Coelho



