Silêncio da casa cresce quando você sorri primeiro
Se um dia te vi franzir a testa, em silêncio, era o mundo pesado apoiando em seus ombros leves, e eu, recolhido à porta, aprendendo com o tempo que só quem ama sustenta tanto peso sem perder a ternura. No retrato antigo, guardo seu olhar aceso, clareando esquinas em que nunca me perdi. Clarice sugeriu certa vez que a mãe é fronteira - e você, com as mãos estendidas, sempre fez ponte. Entre chá e ensinamento, café e advertência, fui colhendo migalhas de força e abrigo e repito baixinho agradecimentos antigos porque sua existência é meu alicerce dia após dia. Hoje, quando o outono insiste na janela, lembro dos seus conselhos e das manhãs sem pressa: mais do que festa, seu aniversário é celebração do essencial - um dom maduro, trançado de coragem e delicadeza.
· Profa. Beatriz Coelho



