Os riscos de infância ainda guiam meus passos
Começo lembrando o som das tuas chuteiras batendo no corredor, a casa inteira sabendo que o jogo tinha acabado e a alegria chegava junto. Teu cuidado disfarçado, o casaco que eu pegava sem pedir, as discussões que me afiaram a fala e a escuta. Irmão, crescemos como quem aprende uma língua própria: feita de sinais simples, lealdade e humor nas horas difíceis. É essa língua que me acompanha hoje, ao te celebrar com a seriedade das coisas que importam. Que este ano te dê chão e horizonte: saúde constante, trabalho que te desafie sem te endurecer, descanso limpo, risos suficientes para desatar nós. Se vierem pedras - e elas vêm, lembra Drummond - que encontres modo de transformá-las em degraus. Sigo aqui, orgulhosa do homem que vejo, torcendo perto e em silêncio, na medida que a vida adulta pede. Feliz aniversário.
· Profa. Beatriz Coelho



