Entre vento e lembrança, tua presença sempre retorna
Ao longe, escuto teu passo firme cruzando o quintal e cada folha vencida por teus pés é um susto nas horas. Guardei tuas pequenas revoltas em caixas que agora já não abro, mas reencontro tua voz soprando na mobília antiga- o eco de conversas que só irmãos sustentam sem testemunhas. Cecília um dia escreveu: o que há em ti é segredo permanente. Reconheço nisso tua inquietude, tua coragem quieta e a forma como te demoras nos detalhes mínimos dos dias. Neste aniversário, deixo não apenas desejo, mas a memória do que inventamos juntos diante do tempo, esse professor cuja lição aprendi contigo: manter de pé tudo que nos fez terra firme. Olho para ti como quem reconhece um território familiar após longa ausência -e sou atravessada por gratidão e espanto: continua sendo abrigo o que permanece de ti em mim.
· Profa. Beatriz Coelho



