Alvorecer limpo no quintal das nossas conversas
No quintal antigo onde plantamos risos, um cheiro de terra molhada anuncia o dia. Teus passos, leves, entre xícaras e confidências, sabem sobre dores guardadas e esperas sem cor. Hoje, deixo sobre a mesa este alvorecer limpo: o sol colhido em tua presença bastou para iluminar os cantos que o inverno calou. Penso na poça de águas rasas onde as crianças refletem o céu e vejo em ti esse convite à esperança, como quem se debruça sobre Drummond e descobre que pedras também são pontes. Se porventura a vida te entregar vento forte, lembra - tua amizade é raízes moldando tempestades em jardins. Tu, amiga, és palavra bem lançada: faz da existência um abrigo cálido, sem nome ou promessa, só presença inteira. Hoje a manhã te pertence, e cada instante é verso a ser lido devagar, com olhos de quem crê.
· Profa. Beatriz Coelho



