Afilhada, teu riso acende janelas na minha memória
Hoje cedo, ao abrir a janela, o vento frio de Curitiba balançou as cortinas e lembrei do teu primeiro bilhete, guardado no meu caderno. Você cabia nos meus braços como um exemplar recém-saído da gráfica: cheiro de novidade e páginas por descobrir. De lá para cá, teu jeito ganhou arestas bonitas: delicadeza sem passividade, firmeza sem aspereza. Gosto de te ver escolhendo as palavras com cuidado e os silêncios com sabedoria. Drummond diria que há pedras; você aprendeu a usá-las como degraus. Tua curiosidade, teu humor discreto e essa lealdade rara fazem da vida em volta um lugar mais respirável. Neste aniversário, desejo que sigas afinando teu compasso interno. Que estudes o que acende teus olhos, cultives amizades que te sustentem e saibas dizer não quando for preciso. Se o mundo gritar, responde com precisão e gentileza. Como tua madrinha, sigo por perto, não para conduzir, mas para lembrar o que já sabes: você pode muito e não precisa se apressar. Receba meu abraço e a certeza de que teu caminho é promissor.
· Profa. Beatriz Coelho



