Noventa e cinco anos e você ainda me ensina como se vive

Noventa e cinco vezes o sol girou em torno de você e cada volta deixou alguma coisa boa no mundo. Você é daquelas pessoas que o tempo não desgasta - afunda. Tanto que já viveu, tanto que ainda guarda: nomes, sabores, mãos que não esqueceu, verões que ninguém mais lembra a não ser você. E eu, que cheguei tão depois, ainda aprendo só em te observar como se senta, como conta, como recebe um novo dia sem fazer alarde. Noventa e cinco anos não são um número - são um rio longo que deságua aqui, neste abraço que eu te dou e que não sabe direito como conter tudo que sinto.
· Júlia Marques
Noventa e cinco anos que o tempo não desgasta - afunda.



