Noventa e cinco anos de uma vida que me ensinou a viver
Noventa e cinco anos. Fico aqui tentando traduzir esse número em algo que faça jus ao que você representa, e percebo que nenhuma aritmética dá conta. Você atravessou décadas que a história vai estudar por séculos - guerras, renascimentos, invenções que pareciam milagre e depois viraram rotina. E em tudo isso, permaneceu. Não como quem simplesmente resistiu ao tempo, mas como quem soube conversar com ele, dobrar suas arestas, guardar o que valia e soltar o que pesava. Drummond escreveu que 'no meio do caminho tinha uma pedra'. O que ele não disse é que há gente que aprende a sentar nessa pedra, descansar um pouco, e então seguir - levando junto quem ainda estava aprendendo a andar. Você foi essa gente pra mim. Tudo que eu sei sobre paciência, sobre escutar antes de falar, sobre respeitar o silêncio alheio, aprendi observando você. Aprendi que a elegância não está no que se exibe, mas no que se escolhe não dizer. Neste aniversário, não quero apenas celebrar o tempo que passou. Quero celebrar o que ele revelou: uma pessoa que cresceu por dentro ao longo de cada ano, que acumulou não rugas, mas camadas de entendimento que poucos alcançam em uma vida inteira. Obrigada por existir com essa generosidade toda. Que os próximos dias sejam tão ricos quanto tudo que você já viveu - e que eu ainda tenha muito a aprender com você.
· Profa. Beatriz Coelho



