Nove meses de você, e o mundo já é outro lugar

Minha querida netinha, meu bem, como nove meses passaram rápido demais. Parece que foi ontem que eu segurei você pela primeira vez, pequenininha assim, quentinha, cheirando àquele cheiro que só bebê tem. Eu olhei pra você e falei baixinho: 'Senhor, que obra linda a tua.' Porque é isso que você é - uma obra que nenhum ser humano seria capaz de inventar sozinho. Nesses nove meses, você aprendeu a sorrir, a reconhecer a voz da sua mãe, a estender o bracinho quando quer colo. E eu aprendi de novo que a vida tem graça quando ela começa do zero, assim, sem malícia nenhuma, só com fome e sono e aquela vontade enorme de ser amada. A gente que é grande é que complica tudo. A Bíblia diz que 'filhos são herança do Senhor', e eu acredito nisso com cada osso do meu corpo. Você não caiu aqui por acaso, filhinha. Você veio preencher um espaço que a gente nem sabia que estava vazio. Que nesses próximos meses você continue crescendo com saúde, rodeada de gente que te ama de verdade. E que quando você for grande o suficiente pra entender, saiba que a vovó Lurdes estava aqui, te olhando com esse coração cheio, pedindo proteção pra sua vidinha a cada manhã. Nove meses só - e já não imagino o mundo sem você.
· Vó Lurdes



