Setenta e cinco anos: e você ainda me ensina o que é viver

Setenta e cinco anos não cabem em nenhuma frase que eu saiba fazer. Mas eu tento assim mesmo. Você é feito de estações que eu não vi, de invernos que atravessou antes de mim existir, de primaveras que plantou sem saber se ia colher. E aqui está - inteiro, ainda curioso, ainda capaz de fazer uma sala esquentar só de entrar nela. Eu olho pra você e entendo que o tempo não gasta quem vive de verdade. Só aprofunda. Só afina. Se eu um dia chegar perto de tudo que você já foi, vou considerar que fiz algo certo nessa vida. Por enquanto, fico aqui - grata por te ter, admirando de perto esse rio que nunca parou de correr.
· Júlia Marques
Setenta e cinco anos de alguém que ainda ensina o que é viver fundo e de verdade.

