Seis meses: e já não me lembro de como era o mundo sem você

Há exatamente seis meses, o mundo ganhou um peso diferente - não o peso do cansaço, mas aquele peso sagrado de quem segura nos braços algo que não merecia, e recebeu mesmo assim. Você chegou e, sem dizer uma única palavra, já havia dito tudo. Eu olho para você e penso na providência de Deus: como Ele tece cada vida com uma precisão que nenhum de nós alcança entender. Seis meses parecem pouco ao relógio, mas ao coração são uma eternidade de descobertas - o primeiro sorriso que foi mais iluminação do que expressão, o cheiro que ficou gravado nas mãos, o choro que aprendi a distinguir como se fosse idioma antigo que eu sempre soubesse. Nossa Senhora Aparecida, que carrega no nome a graça do que surge e se revela, há de interceder por esse pequeno ser que ainda não sabe quantas orações já foram ditas em seu nome. Que a Mãe Aparecida cubra você com o manto azul da proteção, agora e em cada dia que Deus vier a abrir diante dos seus passos. Seis meses de vida são seis meses de graça derramada sobre todos nós. Você não veio apenas nascer - veio nos ensinar a olhar de novo para as coisas simples com olhos que ainda não aprenderam a se cansar. Que bênção é essa. Que Deus conduza cada respiração sua, cada amanhecer, cada fase que ainda está por vir. E que você, crescendo, saiba que foi amado com intensidade desde o primeiro instante - antes mesmo de perceber que era amado.
· Padre Henrique



