Trinta anos: a idade em que você se tornou inteira

Trinta anos não chegam como um número - chegam como uma maré que finalmente reconhece a própria força. E eu, que estive aqui vendo você crescer, posso dizer com toda certeza: nunca te vi tão inteira quanto agora. Houve um tempo em que você buscava respostas em todo lugar menos em si mesma. Tentava encaixar em formatos que nunca foram seus, sorria pra acalmar o ambiente, guardava as próprias vontades no fundo de uma gaveta. Eu via. E esperava, porque sabia que o que fermenta em silêncio um dia vira vinho. Esses trinta anos são o vinho. São a versão de você que parou de pedir licença pra existir. Que aprendeu que fronteira não é frieza, que descanso não é fraqueza, que amar a si mesma não é egoísmo - é o único caminho que sustenta tudo o mais. O que vem adiante não sei te prometer. Mas sei que você chega aos seus trinta com raízes mais fundas, com olhar mais limpo, com coragem que não precisa mais de plateia pra existir. E isso, pra mim, vale mais do que qualquer desejo que eu pudesse escrever aqui. Então não vou te desejar uma vida perfeita. Vou te desejar uma vida sua - bagunçada nas bordas, bonita no meio, com você no centro dela, sem desculpas.
· Júlia Marques



