Quando o vento bate, você permanece firme
Guardo a cena do casaco amarelo na tarde de vento: você segurando a barra, rindo do próprio susto, seguindo adiante. É assim que te vejo — alguém que conversa com o medo, escuta, mede, e depois dá o passo justo. Não precisa de trombetas; sua grandeza aparece no detalhe: no telefonema difícil, no pedido de ajuda, no limite bem dito. Hoje, no seu aniversário, escolho celebrar essa fibra discreta. Coragem, para mim, é lucidez em movimento: a decisão de cuidar de si e dos outros sem dramatização, com firmeza. Penso em Drummond e na famosa pedra; você não a nega, não a idolatra. Examina, muda o rumo quando é preciso, ou aprende a pisá-la sem ferir o próprio pé. Que o novo ciclo te ofereça ar limpo para respirar antes de qualquer escolha, e silêncio bastante para ouvir o que importa. Que nunca te falte a ternura de permanecer, nem a ousadia de dizer não. Se vierem tempestades, que te encontrem com os ombros erguidos e o coração atento — não para vencer o mundo, mas para permanecer inteira. Receba meu abraço atento e leal. Tenho admiração pelo caminho que você constrói, passo por passo, com critério e afeto. Feliz aniversário. Que a coragem que já habita você continue iluminando os dias, sem alarde, como uma lâmpada acesa na janela em noite fria.
· Profa. Beatriz Coelho



