Um ano: e eu ainda não sei descrever o que construímos

Meu bem, quando eu penso nesse primeiro ano, a primeira coisa que me vem não é a festa, não é o vestido, não é nem o altar - é uma tarde qualquer, você lavando a louça e cantando baixinho, sem saber que eu estava olhando da porta. Foi naquele momento que eu entendi que o amor verdadeiro mora nos detalhes que ninguém fotografa. Um ano parece pouco quando a gente fala assim, rápido. Mas eu sei o que cabe dentro desse tempo: as primeiras brigas que ensinaram mais do que qualquer conselho, as primeiras rezas juntos antes de dormir, os primeiros planos rabiscados na mesa da cozinha ainda sem saber se iam dar certo. Cabe muito, meu amor. Cabe mais do que a gente imagina. As Bodas de Papel têm esse nome por uma razão, filhinha. O papel é simples, frágil até - mas é nele que se escreve o que importa. Contrato, carta, bíblia, poema. É no papel que a palavra ganha peso. E vocês dois, nesse primeiro ano, escreveram páginas bonitas. A Escritura diz: 'O amor é paciente, o amor é bondoso.' Eu vi isso na vida de vocês. Não de forma perfeita - ninguém é - mas de forma real, que é o que vale. Que o Senhor continue sendo o alicerce dessa união. E que cada ano que vier seja mais rico do que esse, não em bens, mas em graça, em cumplicidade e em fé partilhada.
· Vó Lurdes



